Guia Técnico

PON — rede ótica passiva: introdução, tipos e aplicações

Architecture réseau PON — OLT central, splitteurs passifs 1:N, ONU abonnés — réseau optique passif point à multipoint
Arquitetura PON ponto a multiponto: um OLT alimenta dezenas a centenas de ONUs através de divisores totalmente passivos — sem qualquer equipamento ativo na rede de distribuição

Índice

  1. O que é o PON?
  2. PON vs. AON: ativo vs. passivo
  3. Os componentes de uma rede PON
  4. Evolução das normas: APON, BPON, EPON, GPON, XGS-PON
  5. Tabela comparativa das normas PON
  6. Aplicações do PON: FTTH, empresas, campus
  7. Como escolher a norma PON adequada?
  8. Perguntas Frequentes

O PON (Rede Ótica Passiva) é a arquitetura de rede de fibra ótica na qual se baseia toda a implantação mundial de FTTH. O seu princípio — distribuir o sinal de um ponto central para numerosos assinantes através de divisores totalmente passivos — revolucionou a economia das redes de acesso. Este guia introdutório apresenta o funcionamento da PON, a sua evolução desde a APON até à XGS-PON 10G e os critérios para escolher a norma adequada de acordo com o seu projeto.

O que é o PON?

Um rede ótica passiva é uma rede de telecomunicações de fibra ótica que liga um equipamento central (oOLT) a vários equipamentos de assinantes (os ONU) sem qualquer componente alimentado eletricamente no percurso de transmissão. A distribuição do sinal é efetuada através de divisores óticos passivos — componentes puramente mecânicos que dividem fisicamente o feixe de luz.

O adjetivo «passivo» é a característica fundamental da PON: entre a central da operadora e a habitação do assinante, não existe qualquer comutador, amplificador nem qualquer equipamento que necessite de alimentação elétrica ou de manutenção ativa. Apenas fibras de vidro e divisores óticos ocupam este segmento — com uma vida útil típica de 25 a 30 anos sem intervenção.

A topologia PON é designada por ponto a multiponto (P2MP) : uma única fibra, a partir do OLT, divide-se progressivamente através de divisores em cascata para chegar a cada assinante individualmente. Trata-se do oposto de uma rede ponto a ponto (P2P), em que cada assinante necessitaria da sua própria fibra dedicada até à central.

Uma implantação PON permite servir 64 assinantes com uma única fibra de transporte, em vez de 64 — o que representa uma redução de 98 % na quantidade de fibra necessária entre a central e o primeiro nó de distribuição.

PON vs. AON: rede passiva versus rede ativa

A alternativa ao PON é oAON (Rede Ótica Ativa) — uma rede ponto a ponto em que cada assinante dispõe de uma fibra dedicada e de um comutador ativo alimentado em cada nó de distribuição. Eis as diferenças fundamentais:

CritérioPON (passivo)AON (ativo)
InfraestruturaFibras + divisores passivosFibras + comutadores ativos
Equipamentos em redeNenhum (passivo)Switches / repetidores com alimentação
Custo de implementaçãoBaixa (fibra partilhada)Elevado (fibra dedicada × assinantes)
Custo de manutençãoMuito reduzida (sem pessoal no terreno)Elevado (equipamentos a manter)
Largura de banda por assinantePartilhada (TDMA)Dedicada (P2P)
Distância máxima20–80 km, de acordo com a normaIlimitada (com amplificadores)
SegurançaÉ necessária a encriptação AESIsolamento físico natural
Utilização típicaFTTH residencial, campusCentro de dados, ligações críticas

Na prática, a tecnologia PON predomina nas implantações de FTTH residenciais e nas redes de campus devido às suas vantagens económicas. A tecnologia AON é reservada para ligações críticas que exigem uma largura de banda dedicada e garantida — ligações entre centros de dados, infraestruturas industriais ou militares.

Os componentes de uma rede PON

Uma rede PON padrão inclui três categorias de equipamentos:

O OLT (Terminal de Linha Ótica) — único equipamento ativo do lado do operador. Localizado no NRO (Nó de Ligação Ótica) ou na sala de servidores, gere todas as transmissões: sincronização TDMA, atribuição de largura de banda (DBA), autenticação das ONUs e encaminhamento de serviços (Internet, VoIP, IPTV). Um OLT de 16 portas PON pode servir até 1 024 assinantes em simultâneo.

Os divisores óticos passivos (PLC) — o cerne da arquitetura PON. Estes divisores baseados na tecnologia planar (Planar Lightwave Circuit) dividem o sinal ótico em N fluxos idênticos sem conversão elétrica. As configurações mais comuns: 1×4, 1×8, 1×16, 1×32, 1×64. Dois níveis de divisores em cascata permitem atingir relações de 1:128 (por exemplo, 1×8 + 1×16). A sua vida útil é ilimitada — sem alimentação elétrica, sem desgaste.

ONU / ONT (Unidade de Rede Ótica / Terminal) — equipamento ativo do lado do assinante. Este recebe o sinal ótico da fibra através da sua porta SC/APC, descodifica-o e distribui-o por Ethernet, Wi-Fi, telefonia ou sinal de CATV, consoante a sua configuração. É o único equipamento ativo que o assinante (ou o instalador) tem de gerir no local.

Evolução das normas: APON, BPON, EPON, GPON, XGS-PON

A tecnologia PON tem vindo a evoluir ao longo de várias gerações desde a década de 1990, sendo que cada novo padrão tem vindo a aumentar as velocidades de transmissão disponíveis:

APON — ATM PON (final da década de 1990)

Primeira norma PON, definida pela ITU-T G.983. Baseada no protocolo ATM (Asynchronous Transfer Mode), oferecia velocidades de 155 Mbps ou 622 Mbps. Tecnologia agora obsoleta, substituída em todas as implantações ativas.

BPON — PON de banda larga (início de 2000)

Evolução do APON, ainda com base na tecnologia ATM, mas com velocidades que atingem os 622 Mbps e suporte a serviços adicionais (CATV, acesso Ethernet, linhas alugadas). Também obsoleto, mas ainda presente em algumas infraestruturas herdadas.

EPON — Ethernet PON (2004, IEEE 802.3ah)

Avanço tecnológico: abandono do ATM em favor da Ethernet nativa. Velocidades simétricas de 1,25 Gbps, rácio de divisão até 1:64. Dominante na Ásia (Japão, Coreia, China), ainda implementado na Europa em algumas redes empresariais. Consulte o nosso guia: ONU, EPON, GEPON — funções e tipos.

GPON — Gigabit PON (2004, ITU-T G.984)

A norma de referência na Europa. Velocidades de 2,5 Gbps de descarga / 1,25 Gbps de carga, relação de até 1:128, protocolo GEM proprietário. Norma imposta pela Orange, pela SFR e pela Bouygues para todas as implantações de FTTH em França. Leia o nosso guia: Redes GPON — arquitetura e implementação.

XG-PON / XGS-PON (2010–2016, ITU-T G.987 / G.9807)

A geração 10G da tecnologia PON. XG-PON: 10G de saída / 2,5G de entrada (assimétrica). XGS-PON: 10G simétrico — a versão que se impõe nas novas implementações. Coexiste com o GPON na mesma infraestrutura graças a comprimentos de onda distintos. A Freebox Ultra utiliza o XGS-PON desde 2024.

NG-PON2 (2015, ITU-T G.989)

Next Generation PON 2: combina 4 comprimentos de onda XGS-PON para atingir 40 Gbps por fibra. Implantações em curso nos centros de dados e nas redes móveis 5G (fronthaul). Ainda pouco difundido nas redes de acesso residenciais.

Applications réseau PON — FTTH résidentiel, campus universitaire, réseau entreprise, déploiement rural
Aplicações do PON: desde a implantação de FTTH residencial urbano até às redes de campus e empresariais com vários edifícios

Tabela comparativa das normas PON

Norma Organismo Ano Caudal descendente Valor do débito Divisão máxima. Estatuto
APONITU-T G.9831998622 Mbps155 Mbps1:32Obsoleto
BPONITU-T G.983.x2001622 Mbps622 Mbps1:32Obsoleto
EPONIEEE 802.3ah20041,25 Gbps1,25 Gbps1:64Ativo (Ásia)
GPONITU-T G.98420042,5 Gbps1,25 Gbps1:128Dominante (Europa)
XG-PONITU-T G.987201010 Gbps2,5 Gbps1:64Implementação parcial
XGS-PONITU-T G.9807201610 Gbps10 Gbps1:64Aumento de potência
NG-PON2ITU-T G.989201540 Gbps10 Gbps1:256Centro de dados/5G

Aplicações do PON: FTTH, empresas e campus

O PON foi concebido para o FTTH residencial, mas as suas qualidades — baixo custo, infraestrutura passiva, longo alcance — permitiram a sua aplicação em muitos outros contextos:

FTTH / FTTB residencial — aplicação histórica e predominante. Os operadores instalam OLTs em NROs e prestam serviço a bairros inteiros através de redes GPON passivas. Cada habitação dispõe de um ONT ou de um modem que integra a interface GPON. Em França: a Orange, a SFR, a Bouygues e a Free migraram todas para GPON/XGS-PON.

Redes empresariais e de campus — O PON substitui com vantagem os comutadores de piso em edifícios de grandes dimensões. Um OLT instalado no armário central alimenta cada escritório, sala de reuniões e espaço comum através de UNOs compactos. Resultado: nenhum equipamento ativo a manter nas instalações técnicas intermédias.

Hotelaria e residências com serviços — cada quarto dispõe da sua própria unidade de rede (Internet de banda larga, telefonia, IPTV), com gestão centralizada a partir do software EMS do OLT. A fibra passiva instalada na coluna técnica substitui dezenas de comutadores de andar.

Redes rurais e RIP (Redes de Iniciativa Pública) — O alcance de 20 km da rede GPON permite servir aldeias e povoações remotas a partir de um único NRO, sem necessidade de equipamento intermédio alimentado.

Fronthaul 5G — As redes móveis 5G utilizam ligações PON (XGS-PON, NG-PON2) para ligar as antenas da Rede de Acesso Rádio (RAN) à estação base. A largura de banda e a baixa latência da tecnologia PON tornam-na um suporte adequado para este caso de utilização crítico.

Como escolher a norma PON adequada?

A escolha de uma norma PON depende de três fatores principais:

1. O contexto geográfico e operacional

Em França e na Europa, se se ligar à rede de um operador público (Orange, SFR, Bouygues, Free), a norma é imposta: GPON ou XGS-PON. Não tem escolha — os seus equipamentos da ONU têm de ser compatíveis com o OLT da operadora. Na Ásia, a tecnologia EPON continua a ser comum.

2. Os caudais necessários atualmente e daqui a 5 anos

Para utilizações residenciais normais (streaming, jogos, teletrabalho): o GPON é mais do que suficiente a curto prazo. Para aplicações profissionais (utilização intensiva da nuvem, cópias de segurança remotas, videoconferências entre vários locais) ou para preparar a infraestrutura para o futuro: opte diretamente por XGS-PON, que coexiste com o GPON na mesma fibra.

3. O número de assinantes e o orçamento

Uma rede privada (edifício, campus, hotel) com menos de 64 assinantes será adequadamente servida por um OLT GPON de 4 portas. Para um número superior, será necessário um OLT de 8 ou 16 portas. O custo dos equipamentos OLT GPON é hoje muito acessível — a partir de 1 700 € por um OLT de 4 portas com capacidade para servir 256 assinantes.

Começar com GPON e migrar para XGS-PON sem ter de alterar tudo

Se o seu orçamento inicial for limitado, implemente a tecnologia GPON já hoje, utilizando cabos OS2 e divisores PLC padrão. Quando os seus assinantes precisarem de 10G, basta substituir o OLT por um modelo COMBO GPON+XGS-PON e trocar as ONUs à medida que forem sendo realizadas as intervenções no terreno — a cablagem passiva permanece intacta. É precisamente esta a estratégia de migração adotada pelas operadoras nacionais.

Perguntas frequentes — rede ótica passiva PON

1Por que razão se diz que o PON é «passivo»?
O termo «passivo» refere-se à rede de distribuição entre a OLT e as ONU : não contém qualquer equipamento alimentado eletricamente. Os divisores óticos dividem o sinal exclusivamente por meios mecânicos e óticos, sem conversão elétrica. Apenas o OLT (do lado da operadora) e as ONU (do lado do assinante) são equipamentos ativos — o resto da rede não necessita de qualquer alimentação nem de manutenção ativa durante 25 a 30 anos.
2Qual é a diferença entre PON, GPON e EPON?
PON é o termo genérico para todas as redes óticas passivas. GPON (ITU-T G.984) e EPON (IEEE 802.3ah) são duas normas específicas da tecnologia PON, incompatíveis entre si. O GPON é predominante na Europa (2,5G/1,25G, protocolo GEM), enquanto o EPON é maioritário na Ásia (1,25G simétrico, Ethernet nativa). O XGS-PON é a versão de 10G do GPON.
3Quantos assinantes pode um único cabo PON servir?
Uma única fibra de transporte a partir do OLT pode servir até 128 subscritores em GPON (64 em EPON), graças aos divisores em cascata. Na prática, as implementações utilizam uma relação de 1:32 a 1:64 para garantir um débito suficiente por assinante. Um único cabo de 288 fibras pode, assim, potencialmente alimentar mais de 18 000 assinantes GPON a partir de um único NRO.
4O PON pode ser utilizado numa rede privada empresarial?
Sim, e trata-se de uma arquitetura cada vez mais adotada. Uma OLT empresarial (4 a 16 portas PON) substitui os switches de andar num edifício de escritórios ou num campus. Cada espaço de trabalho dispõe da sua própria ONU com portas Ethernet e Wi-Fi. A rede de distribuição permanece passiva ao longo de toda a vida útil do edifício — apenas o OLT central e as ONUs têm de ser atualizados aquando dos aumentos de largura de banda.
5Como funciona a largura de banda partilhada na tecnologia PON?
A largura de banda da porta PON (2,5 Gbps em GPON) é partilhada entre todas as ONUs através do mecanismo DBA (Atribuição Dinâmica de Largura de Banda). O DBA atribui dinamicamente intervalos de transmissão (T-CONT) de acordo com o tráfego em tempo real de cada assinante. Um assinante inativo liberta imediatamente largura de banda para os seus vizinhos. Em horas de ponta, a largura de banda efetiva por assinante, numa relação de 1:64, situa-se normalmente entre 20 e 40 Mbps — o que é suficiente para a maioria das utilizações residenciais.
6O que é um divisor de PLC e como o escolher?
Um divisor PLC (Circuito Planar de Ondas de Luz) é o componente passivo que divide o sinal ótico. A sua escolha depende do rácio de divisão (1×4, 1×8, 1×16, 1×32…), o tipo de conector (SC/APC para as redes GPON em França, LC/APC para determinados equipamentos empresariais) e o formato mecânico (caixa compacta em ABS, cassete LGX para rack ou versão mini sem caixa para integração numa caixa FTTH). A atenuação típica é de 7 dB para um 1×8 e de 10,5 dB para um 1×16.
7Será que o XGS-PON irá substituir o GPON?
De forma gradual, sim — mas sem uma ruptura brusca. O XGS-PON coexiste com o GPON na mesma infraestrutura, graças a comprimentos de onda distintos. Os operadores efetuam a migração UN a UN durante as intervenções no terreno, sem alterar os cabos nem os divisores. Em França, a Free (Freebox Ultra) e algumas implantações da SFR já migraram para o XGS-PON. A Orange mantém uma vasta rede GPON em processo de migração progressiva até 2028–2030.
8Quais são os prazos de entrega dos equipamentos PON da Elfcam?
Os divisores PLC (SC/APC 1×8, 1×16, 1×32) e os ONU GPON/XPON estão sempre em stock, com envio em 24 horas. Os OLT GPON de 4, 8 e 16 portas são enviados no prazo de 48 a 72 horas. Para projetos que exijam acompanhamento técnico (dimensionamento, orçamento ótico, configuração do OLT), a nossa equipa disponibiliza um serviço de conceção de soluções mediante orçamento.
E

Equipa técnica da Elfcam

Especialistas em infraestruturas de fibra ótica e redes PON desde 2018. Mais de 40 000 instalações acompanhadas — desde ligações FTTH residenciais até redes PON empresariais que abrangem vários edifícios, em França e na Europa.

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