FTTx, FTTH, FTTB, FTTC: as arquiteturas de fibra explicadas — ONU vs. ONT
Índice
- O que é o FTTx?
- FTTH, FTTB, FTTC, FTTdp: as 4 arquiteturas
- Como funciona uma rede PON
- ONU vs. ONT: o mesmo papel, duas normas
- Tipos de ONU: SFU, HGU, MDU
- GPON, EPON, xPON: como escolher a tecnologia PON
- Quadro comparativo das arquiteturas FTTx
- Como escolher a sua arquitetura FTTx?
- Perguntas Frequentes
Já ouviu falar de FTTH, de FTTB, d'ONU e deONT sem distinguir bem o que os diferencia? Não está sozinho. Estas siglas designam realidades técnicas específicas — e compreender as suas diferenças é essencial para conceber, implementar ou manter uma rede de fibra ótica de alto desempenho.
Este guia explica o FTTx De A a Z: arquiteturas FTTH, FTTB, FTTC e FTTdp, funcionamento da rede PON e a famosa distinção entre ONU e ONT. Ao longo de mais de 40 000 instalações acompanhadas, a equipa da Elfcam respondeu a estas perguntas centenas de vezes — eis a resposta completa.
FTTx é uma família de arquiteturas de rede em que a fibra ótica substitui o cobre em todo ou parte do percurso entre o operador e o assinante. O «x» varia consoante o ponto em que a fibra termina.
O que é o FTTx?
FTTx significa Fibra até ao x — literalmente «fibra até ao x». Este «x» representa o ponto de chegada da fibra na rede de acesso: residência, edifício, armário de rua ou passeio. Trata-se de um termo genérico que abrange todas as variantes de acesso de banda larga por fibra.
O objetivo comum a todas as arquiteturas FTTx é o mesmo: substituir progressivamente a rede local de cobre (rede telefónica tradicional) por fibra ótica, com o objetivo de aumentar as velocidades disponíveis e reduzir a latência. A diferença reside no comprimento do troço de fibra ótica e na natureza do eventual último segmento.
Em França, a implantação da tecnologia FTTx assenta principalmente na rede PON (Rede Ótica Passiva) numa arquitetura ponto-a-multiponto. Um único equipamento ativo — oOLT nas instalações do operador — serve até 64 ou 128 assinantes através de divisores óticos passivos.
FTTH, FTTB, FTTC, FTTdp: as 4 arquiteturas explicadas
Estas quatro variantes distinguem-se pelo local onde a fibra termina e pelo suporte utilizado para o último quilómetro.
FTTH — Fibra até à residência
A fibra chega diretamente à habitação do assinante. Trata-se da arquitetura mais eficiente: velocidades simétricas até 10 Gbit/s, latência inferior a 5 ms, sem qualquer degradação relacionada com a distância. Em França, trata-se da arquitetura implementada pela Orange, pela SFR, pela Free e pela Bouygues no âmbito do Plano «France Très Haut Débit». Um ONU/ONT é instalado na residência do assinante para converter o sinal ótico em sinal elétrico.
FTTB — Fibra até ao edifício
A fibra chega até sala técnica do edifício (cave ou casa de escadas). O último troço entre a sala técnica e cada apartamento utiliza a cablagem existente: Ethernet, cabo coaxial ou pares de cobre (VDSL2). As velocidades atingem 300–500 Mbit/s, dependendo da qualidade da cablagem interna. Trata-se de uma solução económica para edifícios antigos, nos quais a instalação de fibra ótica em cada piso seria demasiado dispendiosa.
FTTC — Fibra até ao armário
A fibra chega até subdistribuidor de rua (armário de bairro). O último quilómetro utiliza os pares de cobre existentes com a tecnologia VDSL2 ou G.fast. As velocidades são limitadas pelo comprimento do cabo de cobre remanescente: 50 Mbit/s a 300 m, 20 Mbit/s a 500 m. Trata-se da arquitetura intermédia utilizada antes da transição para o FTTH completo.
FTTdp — Fibra até ao ponto de distribuição
Uma variante do FTTC ainda mais próxima do assinante: a fibra chega até ponto de distribuição situado a menos de 100 m da habitação. Com G.fast ou XG-fast, as velocidades podem atingir 500 Mbit/s a 1 Gbit/s em algumas dezenas de metros de cobre. Arquitetura de transição para o FTTH completo.
Dica
Para saber qual é a infraestrutura disponível na sua morada, consulte a ferramenta de verificação de elegibilidade da sua operadora. Em zonas densamente povoadas, a FTTH é já a opção predominante. Nas zonas rurais, a FTTC continua a ser, muitas vezes, a única opção disponível a curto prazo.
Como funciona uma rede PON
Quase todas as implantações de FTTH em França utilizam uma arquitetura PON (Rede Ótica Passiva). Eis como funciona:
No centro da rede encontra-se oOLT (Terminal de Linha Ótica) — o equipamento ativo localizado na central telefónica ou no nó de ligação ótica (NRO) do operador. Este equipamento gere todos os sinais óticos e comunica com cada assinante.
À saída do OLT, a fibra segue para um divisor óptico passivo. Este equipamento, que não necessita de alimentação elétrica, divide o sinal em 2, 4, 8, 16, 32 ou 64 ramificações, permitindo que uma única porta OLT sirva várias dezenas de assinantes. A palavra «passivo» é fundamental: não há componentes ativos, nem manutenção elétrica fora do NRO.
Na extremidade da rede, na instalação de cada assinante, encontra-se oONU ou ONT. Este equipamento realiza a conversão ótica/elétrica e fornece as interfaces de rede (RJ45, Wi-Fi, portas telefónicas). É o único equipamento ativo do lado do assinante.
A transmissão é efetuada em dois comprimentos de onda distintos na mesma fibra:
- Sentido descendente (downlink) — da OLT para a ONU: 1490 nm (GPON/EPON) ou 1577 nm (XGS-PON)
- Sentido ascendente (uplink) — da ONU até ao OLT: 1310 nm (pulso de laser)
ONU vs. ONT: o mesmo papel, duas normas diferentes
Esta é A questão central deste artigo — e a resposta é, ao mesmo tempo, simples e frequentemente mal compreendida.
ONU (Unidade de Rede Ótica) e ONT (Optical Network Terminal) referem-se ao mesmo equipamento físico: o terminal do lado do assinante de uma rede PON. A diferença é normativa, não está operacional.
- ONU é o termo da norma IEEE 802.3ah (EPON). É utilizado em contextos com vários assinantes ou em edifícios (FTTB, MDU).
- ONT é o termo da norma ITU-T G.984 (GPON). Refere-se especificamente a um terminal instalado diretamente na residência de um único assinante (FTTH).
Na prática, os fabricantes de equipamentos e os integradores utilizam os dois termos de forma intercambiável. Quando um operador francês lhe entrega uma «caixa ONT», trata-se, tecnicamente, de um ONU GPON instalado numa rede FTTH.
Esta distinção assume importância em dois contextos:
- Elaboração de cadernos de encargos : a ITU-T distingue a ONU (fora do domicílio, pode servir vários utilizadores) da ONT (no domicílio, um único utilizador). Um ONU MDU localizado na sala técnica de um edifício e um ONT residencial num apartamento são equipamentos diferentes.
- Interoperabilidade : as unidades ONU GPON têm de ser certificadas pelo OLT GPON ao qual se ligam. Uma unidade ONU EPON não funcionará num OLT GPON sem compatibilidade xPON.
Os tipos de ONU: SFU, HGU, MDU — como distingui-los
Para além da norma GPON/EPON, as UN distinguem-se pela sua perfil de implementação. A norma ITU-T G.988 define várias categorias consoante o número de utilizadores servidos e as funções integradas.
SFU — Unidade Unifamiliar
ONU, abreviatura de uma única habitação. Este dispositivo realiza apenas a conversão ótica/Ethernet — sem encaminhamento, sem Wi-Fi. O assinante liga o seu router a este dispositivo. Velocidade típica: 1 GE. Utilizado em FTTH puro quando o assinante dispõe do seu próprio equipamento de rede.
HGU — Unidade de porta de ligação doméstica
L'ONU mais comum em FTTH residencial. Integra, num único dispositivo: ONU, router NAT, servidor DHCPv4/v6, Wi-Fi (802.11ac ou 802.11ax), portas telefónicas VoIP (POTS), USB e, por vezes, CATV. É a isso que as operadoras chamam a sua «box». Exemplos: Livebox (Orange), Freebox (Free), SFR Box. Num ambiente profissional, um HGU multiportas permite ligar diretamente os postos de trabalho.
MDU — Unidade de habitação múltipla
ONU para edifícios residenciais ou edifícios do setor terciário. Instalado na sala técnica, este equipamento dá serviço a várias habitações ou escritórios através da cablagem interna existente (Ethernet, VDSL2, COAX). Um MDU de 8 ou 16 portas pode substituir 8 ou 16 ONU individuais por um único equipamento no armário técnico.
SBU / MTU — Pequenas Empresas / Unidade Multilocatária
Variantes para pequenas empresas e edifícios de uso comercial. Funções de encaminhamento mais avançadas, QoS empresarial, interfaces de gestão SNMP/TR-069, múltiplas VLAN. Utilizados em implementações FTTx de operadores B2B.
GPON, EPON, xPON: que tecnologia PON deve escolher?
A escolha da tecnologia PON determina os débits disponíveis, a compatibilidade das UNOs e as possibilidades de evolução. Eis as três principais tecnologias atualmente em fase de implementação.
GPON (ITU-T G.984)
Padrão dominante na Europa e em França. Velocidades de transmissão assimétricas: 2,5 Gbit/s no sentido de descida / 1,25 Gbit/s no sentido de subida. Rácio de partilha até 1:128. Suporta VLAN, QoS (classes T-CONT) e o protocolo OMCI para a gestão das UNEs. É a tecnologia GPON que equipa a quase totalidade das implantações FTTH dos operadores franceses.
EPON (IEEE 802.3ah)
Padrão dominante na Ásia (China, Japão, Coreia). Velocidades simétricas: 1,25 Gbit/s simétrico. Arquitetura Ethernet nativa, mais fácil de integrar em redes de campus e de PME. Gestão através de OAM (IEEE 802.3ah). Menos comum na Europa, mas utilizada em algumas implementações privadas e industriais.
xPON (detecção automática de modo duplo)
Tecnologia híbrida que deteta automaticamente se o OLT do outro lado for GPON ou EPON e for compatível. Um único ONU xPON pode funcionar indistintamente nos dois tipos de OLT. Ideal para integradores que gerem redes mistas ou para revendedores que mantêm apenas uma referência em stock.
OLTs recomendados para implementações FTTH privadas
- OLT GPON / EPON — de 4 a 16 portas PON, consoante a dimensão da rede
- Transceptor SFP OLT — para OLT com chassis modular
Quadro comparativo das arquiteturas FTTx
| Critério | FTTH | FTTB | FTTC | FTTdp |
|---|---|---|---|---|
| Fim da fibra | No setor da habitação | Sala técnica do edifício | Armário de rua | Ponto de distribuição (<100 m) |
| Último segmento | Fibra | Ethernet / coaxial / cobre | Cobre (VDSL2) | Cobre (G.fast / XG-fast) |
| Caudal máximo típico | 1–10 Gbit/s | 100–500 Mbit/s | 20–100 Mbit/s | 200 Mbit/s–1 Gbit/s |
| Latência | < 5 ms | 5–10 ms | 10–20 ms | 5–10 ms |
| Custo de implementação | Elevado | Meio | Baixo | Meio |
| Equipamento do assinante | ONU/ONT | Modem CPE Ethernet/VDSL | Modem VDSL2 | CPE G.fast |
| Utilização preferencial | Particulares, empresas, PME | Edifícios com mais de 4 andares | Zonas periurbanas/rurais | Zonas densamente povoadas, edifícios antigos |
| Evolutividade | Excelente (XGS-PON 10G) | Limitada (cabeamento interno) | Baixo | Moderada |
Como escolher a sua arquitetura FTTx?
A escolha da arquitetura FTTx depende de três fatores principais: o tipo de edifício, o orçamento disponível e as velocidades de transmissão pretendidas.
Novo edifício ou remodelação profunda
O Recomenda-se sistematicamente a tecnologia FTTH. A fibra é instalada durante a fase de construção da estrutura, com um custo marginal. É instalado um OLT na sala técnica e cada habitação é equipada com um ONU ou ONT. O investimento inicial é recuperado em 3 a 5 anos, graças à eliminação dos cabos de cobre e à escalabilidade (transição de GPON para XGS-PON sem necessidade de reestruturar a rede passiva).
Edifício existente com cablagem Ethernet Cat5e/Cat6
O FTTB é a solução mais económica. A fibra chega à sala técnica e os equipamentos existentes (switch Ethernet, cablagem estruturada) são reutilizados. Basta um ONU MDU na sala técnica para dar serviço a todo o edifício.
Zona rural ou periurbana sem infraestruturas
O FTTC continua a ser, muitas vezes, a única opção a curto prazo. No caso de novas construções isoladas, uma fibra exterior reforçada até ao ponto de ligação é a solução mais sustentável, com um ONU GPON ou xPON na extremidade.
PME ou edifícios do setor terciário
Opte por um ONU SFU ou SBU ligado a um switch de 10G para fornecer serviço aos postos de trabalho. Caso o edifício seja multi-inquilino, uma ONU MDU na sala técnica simplifica a gestão e reduz o número de intervenções.
Dica de instalação
No caso de implantações FTTH privadas (campus, hotéis, condomínios), a utilização de um OLT GPON ou EPON com divisores 1:8 ou 1:16 permite-lhe partilhar a fibra de alimentação e limitar o número de cabos a instalar até ao NRO privado.

































