Fibras resistentes à flexão e fibras de pequeno diâmetro: guia G.657
Índice
A fibra monomodo padrão G.652 é utilizada há 40 anos em todas as telecomunicações. No entanto, desde 2006, a UIT-T definiu uma norma derivada — a G.657 — o que permite que as fibras suportem curvas muito acentuadas (raio de 5-15 mm) sem perda de sinal. Esta evolução tornou possível a implantação em larga escala da FTTH em habitações, onde as fibras têm de passar por ângulos retos, sancas e armários exíguos.
Este guia explica as normas G.657.A e G.657.B, o seu mecanismo ótico e em que situações se deve dar preferência a uma fibra de baixo diâmetro (80/170 µm em vez do padrão 125/250 µm).
Por que razão se opta pela fibra resistente à flexão?
Quando se dobra uma fibra ótica com demasiada força, o sinal luminoso escapa-se do coração através da bainha — é a perda por curvatura (bend loss). Numa fibra G.652 padrão, um raio de 15 mm já provoca uma perda de 0,5-1 dB; com 5 mm, a perda é catastrófica (>10 dB).
Ora, numa instalação FTTH residencial, a fibra deve:
- Recorrer a armários exíguos (PBO 200 × 200 × 60 mm)
- Alojamento em molduras decorativas com ângulos retos
- Atravessar condutas e canaletas técnicas com cotovelos
- Estar dobrada na parte de trás da PTO de parede para aceder à caixa
A diferença na prática: uma fibra G.652 padrão exige que se respeite um raio mínimo de 30 mm em todo o percurso. Uma fibra G.657.B3 permite um raio de 5 mm sem perda de qualidade — ou seja, um fator de compactação 6.
A norma G.657: classes A e B
A recomendação UIT-T G.657 define duas classes principais de fibras insensíveis à curvatura:
| Classe | Raio mínimo | Compatibilidade com a norma G.652 | Utilização típica |
|---|---|---|---|
| G.657.A1 | 10 mm | Total | Acesso FTTH padrão |
| G.657.A2 | 7,5 mm | Total | FTTH, ligação interna |
| G.657.B2 | 7,5 mm | Limitada | Instalações compactas |
| G.657.B3 | 5 mm | Limitada | Presilhas FTTH, PTO, molduras |
Classe A (Access) — 100% compatível com a norma G.652, podendo ser utilizado em qualquer local onde a norma G.652 seja aplicável. Perda por flexão < 0,25 dB com 10 a 15 voltas em torno de um mandril de 7,5 a 10 mm.
Classe B (Edifício) — concebida para os ambientes com restrições (edifícios, armários). Parâmetros óticos ligeiramente diferentes dos da norma G.652, o que pode limitar a interoperabilidade em ligações mistas de grande extensão. Perda por flexão praticamente nula, mesmo com um raio de 5 mm.
Cabos G.657.B3 Elfcam recomendados
- Ref. 27261 — Cabo de fibra ótica G.657.B3 SC/APC de 50 m, «Pull-Eye» com olhal de tração, 3,0 mm LSZH, para uso interior, compatível com Livebox/SFR Box/Bbox
- Ref. 319 — Cabo SC/APC monomodo OS₂ blindado, reforçado, compatível com operadores franceses
- Ref. 400 — Cabo LC/UPC OM3 multimodo duplex (para comparação de redes multimodo em centros de dados)
Como funciona uma fibra insensível à curvatura?
Para tornar uma fibra monomodo insensível à flexão, os fabricantes recorrem a três abordagens físicas, por vezes combinadas:
- Diâmetro do campo de modo (MFD) reduzido — ao confinar melhor a luz no núcleo, diminui-se a probabilidade de esta escapar durante uma curvatura. Normalmente, o MFD é de 8,6 µm para o G.657.B3, contra 10,4 µm para o G.652.
- Tubo para vala (com assistência por vala) — uma camada de vidro com baixo índice de refração está integrada no revestimento interior, formando uma «trinchera» que reflete a luz em direção ao centro.
- Nanoestruturas no coração — microorifícios ou inclusões submicrónicas que criam um efeito de banda proibida fotónica local, confinando a luz mesmo em curvas apertadas.
A reter
A A perda por curvatura aumenta com o comprimento de onda. Uma fibra que funciona a 1310 nm pode apresentar problemas a 1550 nm (ondas infravermelhas mais longas = maior sensibilidade). Verifique sempre a ficha técnica G.657.xx para a comprimento de onda da sua ligação (GPON 1490/1550, XGS-PON 1577, etc.).
Fibras de diâmetro reduzido: 80 µm e 200 µm
Paralelamente à norma G.657, surgiu outra inovação: as fibras de pequeno diâmetro. Duas abordagens:
| Tipo | Coração | Capa | Revestimento | Ganho volumétrico |
|---|---|---|---|---|
| Padrão | 10 µm | 125 µm | 250 µm | Referência |
| Revestimento reduzido | 10 µm | 80 µm | 170 µm | −54% |
| Revestimento fino | 10 µm | 125 µm | 200 µm | −36% |
Revestimento reduzido para 80 µm — divide o volume do copo por 2,4. Permite queaumentar a densidade de fibras num cabo multifilar (192 fibras num cabo que apenas continha 96).
Revestimento fino de 200 µm — uma solução mais simples, uma vez que o revestimento exterior mantém-se no padrão de 125 µm (pelo que as emendas são realizadas numa máquina padrão, sem necessidade de adaptação). Apenas o revestimento plástico é reduzido.
G.652 vs G.657: comparação completa
| Parâmetro | G.652.D (padrão) | G.657.A2 | G.657.B3 |
|---|---|---|---|
| Raio de curvatura mínimo | 30 mm | 7,5 mm | 5 mm |
| MFD a 1310 nm | 9,2 µm | 8,6 µm | 8,6 µm |
| Atenuação a 1310 nm | ≤ 0,35 dB/km | ≤ 0,4 dB/km | ≤ 0,4 dB/km |
| Atenuação a 1550 nm | ≤ 0,22 dB/km | ≤ 0,3 dB/km | ≤ 0,3 dB/km |
| Compatibilidade com a norma G.652 | Referência | Total | Limitada |
| Utilização típica | Longa distância, rede principal | Acesso FTTH | FTTH residencial de curto alcance |
| Preço relativo | 1× | 1,1-1,2× | 1,2-1,4× |
Aplicações FTTH e centros de dados
FTTH residencial — a variante G.657.B3 tornou-se a padrão de facto para as faixas, os cabos internos e as ligações PBO → PTO. Todos os operadores franceses (Orange, SFR, Free, Bouygues) exigem, no mínimo, a norma G.657.A2 para as instalações em habitações.
FTTH em edifícios coletivos — A G.657.B3 permite a instalação de uma coluna ascendente de 8U num canal de 25 mm sem necessidade de prever poços de canto. Poupança nos custos de obra.
Centro de dados de alta densidade — os cabos de 1728 fibras com 80/170 µm são instalados em canaletas duas vezes mais compactas do que os cabos padrão com a mesma densidade.
Instalação exterior reforçada — algumas fibras G.657.B3 estão integradas em cabos blindados com revestimento LSZH, ideais para instalação subterrânea ou aérea. Consulte a nossa gama de cabos blindados para uso no exterior.
Perguntas frequentes — Fibras G.657 e de pequeno diâmetro
1É possível fazer uma emenda entre uma fibra G.657 e uma G.652?
2Como reconhecer uma fibra G.657.B3 no terreno?
- Leia o lista de componentes impressa na capa (por exemplo: «ITU-T G.657.B3»)
- Consulte a ficha de produto do fabricante
- Medir a perda por curvatura no OTDR, dobrando a fibra em 5 mm — uma G.657.B3 apresentará < 0,05 dB/volta, enquanto uma G.652 apresentará > 1 dB/volta.
3A fibra G.657 é compatível com GPON e XGS-PON?
4É necessário equipamento especial para soldar uma fibra de 80 µm?
No que diz respeito às fibras em revestimento fino de 200 µm (o revestimento mantém-se em 125 µm), não sendo necessária qualquer adaptação.
5É possível dobrar uma fibra G.657.B3 a 90°?
6Quando se deve optar pelo G.657.A2 em vez do G.657.B3?
G.657.B3 — se as suas restrições de instalação forem extremas (raio < 7,5 mm) e a ligação for curta (residencial, edifício). A maioria dos cabos de ligação FTTH disponíveis no mercado são do tipo B3.
7A G.657 funciona em modo multimodo?
8Onde pode adquirir cabos G.657.B3 em França?
Em resumo
A norma UIT-T G.657 revolucionou a implantação de FTTH, permitindo raios de curvatura de 5-7,5 mm sem perda de sinal. Para instalações residenciais e edifícios: opte por G.657.B3. No que diz respeito às ligações à rede principal de longa distância: dêem preferência a G.657.A2 (compatível com G.652).
Os fibras de diâmetro reduzido (80/170 µm ou 125/200 µm) constituem uma vantagem para cabos de densidade muito elevada — centros de dados em hiperescala, colunas verticais de edifícios. Consulte o nosso gama de cabos de fibra ótica e pigtails G.657.


































